Padrão de vida: o perigo de mantê-lo de forma artificial

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O fato é que somos todos ricos. Bem ricos mesmo, dentro de nossos conceitos individuais de riqueza. Ser rico é um conceito amplo, e está muito além das posses materiais, embora estas estejam também presentes, por serem peças importantes na melhoria da qualidade de vida.

Comportamentos enriquecedores

Primeiro somos ricos em nossos relacionamentos. Valorizamos nossas famílias e nossos amigos (que em alguns casos são mais chegados que um irmão). Manter relacionamentos saudáveis é uma prática que ajuda na expansão da riqueza na esfera material.

Experimentamos também a riqueza através da agradável sensação de gratidão pela vida, por termos o que temos. E muitas vezes o que temos passa longe da sofisticação, mas nos serve muito bem, e facilita bastante nosso dia a dia. São frutos de nosso trabalho, de nossos acertos, de nossos erros, mas conquistados de forma digna, sem desrespeitar os outros.

Os alimentos que comemos diariamente, as roupas, a moradia (seja ela alugada ou própria), as mobílias (principalmente o colchão, afinal, passamos um bom tempo da vida sobre ele), as experiências adquiridas em viagens, um automóvel, uma motocicleta; e para mim não pode faltar a bicicleta (uso praticamente todos os dias para me deslocar até o escritório).

Esse conjunto de “coisas”, somados a vários outros itens que consumimos todos os dias, formam o nosso padrão de vida, e por sermos verdadeiramente ricos, já sabemos que não podemos manter um padrão de vida acima de nossas capacidades financeiras atuais (entenda geração de renda, seja ela ativa ou passiva).

Temos ambições, e queremos experimentar coisas novas, e ter mais do que temos, mas sabemos que tomar atalhos pode ser perigoso, e basta alguns deslizes para destruir o trabalho de muitos anos. Quero refletir algumas coisas sobre isso com você, motivo pelo qual fiz esses comentários anteriores.

Comportamentos empobrecedores

Vivemos em sociedade, e embora estejamos tão próximos de outras pessoas, somos todos muito diferentes em nossas preferências e na forma como vemos o mundo. Educação recebida dos pais, ambiente familiar, crenças, escolaridade, cultura, regionalismos, genética, tudo isso faz de nós pessoas singulares.

Ainda assim, somos movidos por querer “se parecer” com os outros. Basta alguém ver seu amigo com um carro novo, ou a prima com uma linda blusa de inverno, ou o vizinho com sua nova TV de muitas polegadas, acoplada a um belo sistema de som, para que você passe a desejar tudo isso também (embora o que você possui esteja te servindo bem na maioria das vezes).

Impacto maior é quando você visita uma casa bem equipada, com acabamento de primeira linha, móveis planejados com sofisticação em cada cantinho. Lindo não? Eu mesmo, por ser detalhista, gosto muito de apreciar tudo isso, mas é justamente nestas coisas, nestes desejos de também possuir o melhor, que começam os problemas financeiros de muita gente.

Uma coisa é desejar e batalhar para alcançar seus sonhos e objetivos, com paciência e no devido momento (planejamento). Outra coisa é meter os pés pelas mãos, tomar crédito no mercado, e acelerar as coisas, comprando aquilo que você não poderia comprar agora, e com o dinheiro que você também não tem.

Este é o começo da falência, e muitas pessoas iniciam este processo de forma inocente, consumindo aos poucos, com doses pequenas de irresponsabilidade, e gradualmente vão abusando dessa prática.

O tempo passa, o hábito se instala, e por fim chegam a um estado mais severo de endividamento, que somado a uma interrupção das fontes de renda (desemprego, doenças, divórcios, etc.), leva as finanças do lar a um colapso.

Cuidado com a sustentação do padrão de vida

Na maioria dos casos, as pessoas começam a trilhar a rota do empobrecimento por desejarem sustentar um padrão de vida acima de suas capacidades financeiras. É importante compreendermos como isso acontece, para aprendermos a gerenciar isso com maestria.

Somos seres racionais e emocionais. Nossas decisões (todas) passam por estas duas esferas.

Quando agimos de forma instintiva, nossas decisões e ações praticamente são guiadas apenas pelas nossas emoções. Quando estamos num ambiente tranquilo e sem pressões externas, praticamente todas as nossas decisões e ações são guiadas pela razão.

É claro que as decisões racionais se mostram muito mais assertivas ao longo do tempo do que as emocionais, motivo pelo qual todos nós devemos dedicar tempo e recursos para aprender a dominar as nossas emoções (clique aqui e confira esta excelente dica de leitura).

É também por este motivo que muitas empresas trabalham de forma específica, para criarem ambientes e situações que estimulem ao máximo as nossas emoções no momento deles apresentarem seus produtos. Quanto mais “janelas do coração” estiverem abertas, maiores as chances de você comprar.

Somado a isso, todos somos tentados a mostrar que somos pessoas de sucesso, e como o conceito de sucesso no senso comum é sinônimo de ter posses, então somos tentados a manter um padrão de vida elevado, para ostentar nosso “sucesso”.

Muitos se entregam a esta tentação e inflam o seu padrão de vida de forma artificial, através dos empréstimos, parcelamentos longos (e de valor elevado), financiamentos, etc. Veja que o problema não está nestes instrumentos financeiros, mas sim na forma negligente como muitos os utilizam.

Por fim, quando as dívidas estão fora de controle, e as parcelas somadas com os juros já são maiores do que a renda familiar é capaz de pagar, muitos ainda são lentos em se desfazerem dos bens que possuem, para estancar a sangria.

A lição que precisa ser praticada

Não vou dizer que as pessoas precisam aprender a viver com menos do que elas ganham, pois elas já sabem disso. O que é necessário é colocar isso em prática, o mais rápido possível.

Não há outra maneira para formar um patrimônio financeiro e material que seja sólido, e que sirva como uma ferramenta de auxílio para melhorar a qualidade de vida, do que gerenciando bem as finanças pessoais. E uma melhor qualidade de vida é peça importante dentro do conceito amplo do que é ser verdadeiramente rico.

Não tenha vergonha de viver dentro de suas possibilidades. Não se renda aos apelos do consumo irresponsável. Não paute sua vida na vida alheia. No final, é você quem terá que arcar com as consequências de suas escolhas, sejam elas boas ou ruins.

E se você cometeu muitos erros no uso do seu dinheiro, não se envergonhe também. Sempre é tempo de ajustar e fazer as coisas do jeito certo. O mais importante é começar!

Fonte: Dinheirama

 

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