Um fenômeno, ao menos, parece atingir o país de forma menos desigual. A sociedade passa por um processo intenso de envelhecimento. O crescimento da expectativa de vida e a redução da taxa de fecundidade estão por trás do crescimento no número de idosos, de 30% entre 2000 e 2010, totalizando hoje 20,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Isso representa 10,8% da população. Há 10 anos, esse percentual era de 8,6%. Mas os dados do IBGE indicam também que o Brasil terá que enfrentar o desafio de se adaptar às necessidades desse enorme contingente populacional.

Segundo o geriatra Sabrí Lakhdari, diretor científico da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a modificação da estrutura etária da população tem consequências sociais e econômicas. “O aumento do número de idosos levanta a discussão sobre o financiamento dos inativos. Quem vai pagar a aposentadoria dessas pessoas? É preciso pensar nesse aspecto financeiro, já que essa equação é de difícil solução.” Sabrí Lakhdari afirma que os países de primeiro mundo ficaram ricos antes que sua população envelhecesse — fenômeno que não se repetiu no Brasil. “Os idosos são ainda mais vulneráveis. No Brasil, temos apenas 1 mil geriatras, o que mostra o desinteresse com essa fatia da população. Ainda existe muito preconceito com relação ao envelhecimento. As pessoas acham normal quando um idoso está quieto em casa, ninguém pensa que ele pode estar deprimido ou com Alzheimer. Há muita desinformação”, diz.

O envelhecimento da população aumentou a idade média do brasileiro, que saltou de 26,5 anos em 1991 para 32,1 anos em 2010. Há, no entanto, áreas bem abaixo do índice. As comunidades rurais do Amazonas, por exemplo, têm a menor idade média do país: 24 anos. Em 2010, o índice de Roraima, incluindo as comunidades urbanas e não urbanas, foi de 26,3. Na Rio Grande do Sul, 34,9.

Com uma média de 30,6 anos, o Distrito Federal tem uma população com mais de 60 anos que representa 7,7% do total de brasilienses. Há 10 anos, esse percentual era de apenas 5,4%. A maior concentração de brasilienses acima de 60 anos está no Lago Sul. Lá, 19,9% dos moradores estão nessa faixa etária e o percentual é quase três vezes maior do que a média do resto da cidade. O Plano Piloto aparece na sequência do ranking. Nas asas Sul e Norte, 13,8% dos moradores têm mais de 60 anos. As cidades criadas nas últimas décadas e as regiões com rendimentos mais baixos possuem menos idosos. Em São Sebastião, por exemplo, apenas 3,7% da comunidade está acima dessa faixa etária — o menor percentual do Distrito Federal.

O economista Júlio Miragaya, diretor de Gestão de Informações da Companha de Planejamento do Distrito Federal, lembra que o envelhecimento da população é uma tendência mundial, especialmente nas regiões com maior nível de renda. “Nessas áreas, os moradores têm mais escolaridade, maior acesso a atendimento médico e uma alimentação de mais qualidade. A melhoria nas condições de vida, aliada à queda da fertilidade, contribuiu para esse envelhecimento rápido”, explica.

O empresário Amaro Luiz Peixoto, 76 anos, vive na 308 Sul desde 2007, quando trocou a QI 29 do Lago Sul por um confortável apartamento na superquadra modelo de Brasília. Para ele, o Plano Piloto é a melhor região para os brasilienses idosos. “É muito bom caminhar embaixo das árvores. Eu também ando de bicicleta no Parque da Cidade com a minha mulher, tudo isso contribui para a qualidade de vida”, conta. Seus cuidados com a saúde e o bem-estar não se restringem às pedaladas e às caminhadas. “Faço ioga e musculação. Existe diferença entre ser idoso e velho. Eu estou na primeira categoria, porque não vivo à espera da morte. Pelo contrário, aproveito muito a vida, todos os dias”, conta o empresário, que ficou viúvo há sete anos, mas se casou de novo. Ele divide seu tempo entre sua empresa corretora de seguros e o trabalho como prefeito comunitário da quadra.

Publicado em 18/11/2011
(Correio Web)

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