Dois pesos e duas medidas na Previdência

Os servidores públicos estatutários, especialmente os federais, usufruem de um sistema previdenciário à parte do INSS (o chamado regime geral). Muitos especialistas no setor, entre os quais o atual ministro da Previdência, Carlos Gabas, acham que esses dois sistemas deveriam ser unificados no futuro. Tal mudança implicaria mudança substancial na previdência dos servidores e certamente não poderá ser retroativa. Ou seja, os que já se tornaram inativos pelas regras em vigor permaneceriam nas mesmas condições. Já os que estão na ativa, com muitos anos ainda à frente para terem direito à aposentadoria, talvez pudessem ser incluídos em um regime transitório e diferenciado. Para os novos servidores, esperava-se que o governo Lula tivesse posto em prática as regras previstas na reforma da previdência patrocinada por ele.
Nesse caso, todos os limites da aposentadoria seriam os valores máximos fixados pelo regime geral (INSS). No entanto, pelas características do serviço público, e considerando-se que as regras especiais da previdência sempre foram um estímulo para funcionários do topo da carreira, a reforma previu a criação de um fundo de pensão, de adesão voluntária mas atrativa para todos, pois a União teria que entrar com metade das contribuições.
Esse sistema teria a vantagem de estabelecer uma poupança individual para cada novo servidor, e faria com que a remuneração dos inativos finalmente pudesse se desvincular da folha dos servidores da ativa (o que daria mais flexibilidade para ajustes salariais no futuro).
A maior resistência a essa mudança está entre os servidores inativos e os que já começam a vislumbrar a aposentadoria, exatamente os que não estarão sujeitos a essas regras. Quanto aos novos servidores, a experiência dos fundos de pensão das companhias estatais mostra que, quando bem administradas, essas entidades podem proporcionar ganhos até mais expressivos do que os funcionários teriam com as regras em vigor.
O impacto financeiro de uma mudança dessa magnitude não ocorrerá no curto prazo. De imediato, pode ser até que o Tesouro seja obrigado a desembolsar mais recursos, pois terá de conviver com duas modalidades, arcando com os benefícios dos servidores inativos juntamente com as contribuições para o regime geral (INSS) e o fundo de pensão dos novos servidores.
Mas, a médio prazo, a mudança desarma a bomba-relógio em funcionamento. O Ministério da Previdência Social calcula que o déficit do regime próprio dos servidores federais chegará este ano a R$ 48,5 bilhões, enquanto o do regime geral será de R$ 45,7 bilhões. No ano que vem, os déficits projetados seriam de, respectivamente, R$ 50 bilhões e R$ 43 bilhões, sendo que, no primeiro caso, envolve cerca de 940 mil inativos e pensionistas e, no segundo, mais de 27 milhões de beneficiários.
Eis um dos mecanismos de concentração de renda patrocinados pelo Estado brasileiro. E é uma diferença que tende a se agravar. Para esse quadro não existe mais solução de curto prazo. A saída para o problema agora é de médio e longo prazos.
Quanto mais cedo for desatado este nó, menos dissabores enfrentarão as próximas gerações.

Publicado em 27/08/2010
O Globo

Compartilhe este conteúdo

Compromisso com você, em todos os momento

A Fusesc trabalha todos os dias para garantir sua tranquilidade financeira, com transparência, ética e foco no longo prazo. Conte com uma entidade que cuida do seu futuro com responsabilidade hoje, amanhã e sempre.

Conteúdos relacionados

2 de janeiro de 2026

Mensagem da diretoria: confira o recado do nosso Diretor-Superintendente

Confira a mensagem de fim de ano do nosso Diretor-Superintendente, Luiz Aurélio de Oliveira. A Fusesc deseja a todos boas festas e que 2026 seja

Publicação

29 de dezembro de 2025

Antecipação do Abono Anual 2026 inicia em 02 de janeiro

A partir de 02/01/2026, a Fusesc disponibilizará a linha de crédito para antecipação de 50% do 13º salário de 2026 (Abono Anual). É uma oportunidade

Publicação

22 de dezembro de 2025

Expediente e empréstimo no fim de ano

A Fusesc informa como será o atendimento nos últimos dias do ano e o cronograma para contratações e liberações de operações de crédito: Atendimento nos

Publicação

19 de dezembro de 2025

Garanta a sua restituição de IR em 2026!

Ainda dá tempo de fazer um aporte no seu plano de previdência da Fusesc e garantir o benefício fiscal na declaração de ajuste anual do

Publicação

17 de dezembro de 2025

Pagamento do Benefício e Abono – 19/12

Informamos que, na sexta-feira, 19 de dezembro, a Fusesc realizará o pagamento do benefício referente ao mês de dezembro, bem como do abono, correspondente ao

Publicação

11 de dezembro de 2025

Rentabilidade dos planos em novembro, confira o podcast com a equipe Fusesc

Além das Lâminas de Rentabilidade completas de cada Plano, você também pode conferir mensalmente no nosso podcast Fala Fusesc informações a respeito da rentabilidade dos

Publicação
Conecta