Dicas para seu filho aprender a valorizar o dinheiro

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Você certamente já se viu diante de uma questão essencial para a continuidade familiar e o saudável dia a dia entre pessoas queridas: como tratar a questão da educação financeira envolvendo os filhos? Sim, trata-se de um assunto muito importante e que deve ser colocado na vida dos filhos o quanto antes. Veja algumas práticas simples, mas que funcionam muito bem:

Envolva os filhos na rotina de consumo – Enfrentamos, diariamente, supermercados, padarias, lojas de roupas, farmácias e inúmeros outros “desafios”. Em muitas destas ocasiões nossos filhos estão presentes, portanto, não faltam oportunidades para praticar a educação financeira.

Por outro lado, ainda falta muita disposição por parte dos pais. Poucos deles têm a paciência necessária para explicar aos filhos a importante da relação “trabalho x dinheiro x consumo”.

Logo que a criança começar a manifestar seu desejo de possuir alguns produtos e pedir para você comprar, já é o momento de começar a explicar. Normalmente, as frases “eu quero” ou “compra pra mim” acompanham estas situações.

Explique que apenas “querer” não resolve. É necessário “poder”. Este poder, associado ao ato de comprar, é possível através do uso do dinheiro (em espécie ou nos formatos eletrônicos, como cartões de débito e crédito, por exemplo).

Em seguida, explique que o dinheiro é uma conquista que vem pelo trabalho, e que ele faz a “ponte” entre o trabalho e o poder de compra. A ordem também é importante de ser explicada. Primeiro o trabalho, depois o dinheiro, depois as compras.

Envolva os filhos na rotina de trabalho – Outra etapa importante do processo é envolver os filhos em alguma rotina de trabalho. Dessa forma, desde cedo eles irão aprender a valorizar o esforço de suas atividades e a natureza desafiadora do dia a dia de quem trabalha.

Aqui há um cuidado que precisa ser observado. Não misture as tarefas obrigatórias da idade da criança com trabalhos que poderão ser remunerados com pequenas quantias de dinheiro. É meio óbvio, mas vamos lá: escovar os dentes, tarefas da escola, arrumação da cama e dos brinquedos, ser educado com as pessoas, entre outras coisas, são obrigações e não devem ser remuneradas.

Alguns pais se sentem tentados a barganhar essas coisas com os filhos diante da preguiça dos pequenos em executá-las. Estes são momentos para você exercer sua autoridade e não para recompensar com dinheiro ou presentes. Cuidado para não “comprar” seu filho, isso não é educação financeira.

Por outro lado, ajudar na limpeza geral da casa, na lavagem das roupas ou do carro são exemplos de tarefas que podem ser remuneradas. Digo “podem”, pois cada família tem uma dinâmica diferente de vida. Se você paga (ou pagaria) alguém para fazer uma atividade, seu filho também pode executá-la mediante pagamento.

Estas tarefas precisam fazer sentido para a criança dentro do contexto familiar, além de se enquadrarem neste processo pedagógico. Você quer ensinar os pequenos, transmitir valores e princípios e não apenas “comprar a paz”, certo?

Para crianças maiores, criar objetos (como artesanatos) ou fazer comidas (como doces e lanchinhos) que possam ser vendidos é melhor ainda. Isso os fará trabalhar outro ponto importante na vida de todos nós: aprender a vender.

Envolva os filhos no manuseio do dinheiro – Outra coisa também muito relevante é ensinar os filhos a lidar o dinheiro. Ainda existe um tabu que diz que a criança não pode “tocar” no dinheiro, pois ele é “sujo”. Bem, o chão também é sujo, os bichos de pelúcia estão empoeirados, os cobertores podem conter ácaros e por aí vai.

Em um quadro do famoso Dr. Bactéria (que passava no Fantástico, da Rede Globo), uma análise mostrou que a casca do limão era mais “suja” que mais suja nota de 1 Real (naquela época, ele ainda existia).

A questão, portanto, não é de higiene, afinal basta lavar as mãos após o manuseio. Por outro lado, a criança crescer com a ideia de que o dinheiro é “sujo” pode prejudicar a sua relação emocional com esta importante ferramenta, alguns “estragos” podendo ser muito grandes e duradouros.

Assim que os filhos começarem a adquirir noções matemáticas, comece a explicar as diferenças de valores das moedas e cédulas. Mais adiante, explique que os meios de pagamentos eletrônicos (cartões, principalmente) possuem limites e devem estar sempre associados com o patrimônio e orçamento familiar.

Na hora de pagar as compras no caixa, relembre todo o processo. Repita isso várias vezes, da mesma forma que você faz para ensinar outras coisas aos pequenos. Funciona!

Seja você o maior exemplo – Por fim, seja você, pai ou mãe, o exemplo para os seus filhos. A todo instante ele está observando atentamente o seu comportamento, e com dinheiro não é diferente. Esqueça aquela coisa de “Faça o que eu falo, não faça o que eu faço” e simplesmente faça o que precisa ser feito: pratique a educação financeira.

Não adianta você falar uma coisa para a criança, mas na hora de executar, agir de forma diferente. Isso causa confusão na mente delas e atrapalha o processo de aprendizado.

Quando toda a família entende a importância da educação financeira e adota seus princípios como um estilo de vida, todos são beneficiados (no presente e no futuro). Os filhos, em especial, poderão, desde cedo, contar com o tempo, outra importante ferramenta de enriquecimento.

Fonte: Conrado Navarro/Dinheirama

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