Ginástica na terceira idade pode ser a solução na prevenção de doenças e melhora na qualidade de vida

Muitos centros especializados do país já oferecem espaços para idosos praticarem atividades físicas, com acompanhamento de especialistas e programas personalizados.

Um programa regular de exercícios traz benefícios em qualquer idade.

Mas para idosos, eles se multiplicam. O simples fato de se praticar algum tipo de atividade física já melhora e muito a qualidade de vida de pessoas da terceira idade, aumentando a resistência e força muscular necessárias para realização de tarefas comuns, como pegar um neto no colo ou ir ao supermercado. De forma geral, a atividade física pode trazer resposta muscular rápida e eficiente. Tanto é verdade que centros especializados reumatologia estão investindo em espaços destinados ao condicionamento físico na terceira idade, onde desenvolvem um programa elaborado sob medida para cada necessidade e oferecem orientação adequada de profissionais da área.

As principais mudanças decorrentes do envelhecimento são aumento na quantidade de gordura no organismo, diminuição da força muscular, osteoporose (diminuição da massa óssea), ligamentos e tendões mais fracos, diminuição dos reflexos de ação e reação, diminuição da coordenação e habilidade motora e da aptidão física. Com isso, as pessoas apresentam menos equilíbrio e assim ficam sujeitas a quedas, que constituem a primeira causa de acidentes em pessoas acima de 60 anos. Dependendo do caso, essa queda pode resultar em uma fratura normalmente grave, devido a diminuição da massa óssea, conhecida como osteoporose.

As conseqüências de quedas são muito mais desfavoráveis em indivíduos mais velhos, que mesmo quando não se machucam sofrem um grande trauma psicológico, ficando sempre com medo de cair. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, aproximadamente 5 % das quedas levam a fraturas, sendo que as mulheres fraturam mais que os homens, mas os homens morrem mais de fraturas. Quando não ocorre fratura, a dor e a redução dos movimentos pode causar isolamento pela diminuição da auto-estima, tanto pela queda quanto pelo aumento da dependência.Para os fraturados, os problemas – e os gastos – são ainda maiores, já que uma prótese de quadril, que tem mais incidência de fratura, custa em média R$ 9.000,00, além dos custos de implantação, recuperação etc.

Com exercícios, além de combater-se a obesidade, o que evita e retarda o surgimento de diabetes, e melhorar-se a capacidade aeróbica (respiração) também é possível reduzir-se a perda da massa óssea – osteoporose – e, em alguns casos, recuperá-la. “Além do fato de músculos e ossos fortes diminuírem os riscos de quedas e de fraturas de fêmur e de quadril, tão temidas após os sessenta anos, o que poucos sabem é que o fortalecimento muscular reduz dores já existentes provenientes de doenças como artrite, tendinite, bursite, artrose (bico de papagaio) e problemas de coluna”, esclarece a especialista Evelin Goldenberg, mestre e doutora em reumatologia pela Escola Paulista de Medicina e médica do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Outra vantagem importante de se praticar exercícios após os sessenta anos é a elevação da auto-estima e melhora da depressão, problemas freqüentes nesta idade. “Os idosos que praticam esportes se sentem mais bonitos, capazes e independentes. Do ponto de vista psicológico a atividade física pode atuar como um catalisador de relacionamento interpessoal, produzindo agradável sensação de bem estar, estimulando a autoestima pela superação de pequenos desafios e conseqüentemente diminuindo a depressão”, explica a médica.

Além disso, existem hoje diversos tratamentos alternativos que podem ajudar a melhorar a dor quando aliados ao condicionamento físico. A Osteoartrose, por exemplo, conta hoje com medicamentos à base de abacate, cremes de pimenta, sulfato de glicosamina e sulfato de condroitina, entre outros, que não apresentam efeitos colaterais e podem ser prescritos mesmo em casos de pessoas que tomam outros tipos de medicamento.

Alguns dados

Estudos populacionais criteriosos permitiram estabelecer relações de causa e efeito entre atividade física e a menor incidência de algumas doenças, destacando-se a doença coronariana, a hipertensão arterial, diabetes do tipo II, obesidade, osteoporose, ansiedade e depressão. Alguns estudos associam pouca atividade física com altas taxas de mortalidade por todas as causas, e estima-se que 250.000 mortes por ano nos Estados Unidos da América poderiam ser evitadas por atividade física habitual.

A perda de massa muscular dos idosos é um dos mais sérios problemas do envelhecimento. Entre os 25 e os 50 anos, perde-se em média 10% da massa muscular e, dos 50 aos 80 anos, 30%. Com isto diminui a taxa metabólica do organismo, o que favorece várias doenças e também diminui a proteção das articulações e a capacidade de trabalho. Mulheres idosas conseguem aumentar em 10% a massa muscular e em até 200% a força, em poucos meses de treinamento com pesos.

Recente trabalho documentou que idosos que envelheceram correndo ou nadando apresentaram o mesmo nível de hipotrofia muscular de idosos sedentários, enquanto que idosos que envelheceram treinando com pesos apresentaram níveis de massa muscular compatíveis com os de pessoas muito mais jovens.

Publicado em 12/01/2010
Site: www.terra.com.br

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