Conselhos para que o dinheiro não acabe com o amor

Ah, o amor! Quando estamos nessa fase de borboletinhas no estômago e “não, desliga você; não, é melhor você” queremos compartilhar tudo com os responsáveis por nossas insônias… tudo, menos nossos imbróglios financeiros.

Mas como é importante! Estima-se que o dinheiro seja a terceira causa de divórcio, só depois da infidelidade e da falta de comunicação (pensando bem, a falta de comunicação conta duas vezes, porque é o principal problema em relação ao dinheiro), segundo um estudo publicado na Mexico Quarterly Review, da Nueva Época da Universidad de las Américas (UDLA).

Nossa educação por si só não é muito aberta a questões de dinheiro: “Não fale de dinheiro na frente das crianças”. “Não é de bom tom falar de dinheiro à mesa.” “Não pergunte, vai parecer interesseiro ou interesseira.” E esses aprendizados só se potencializam em nossa vida romântica.

O complicado é que manter o assunto do dinheiro em modo mudo, em vez de reduzir os problemas, na maioria das vezes causa outros: dívidas que crescem por não se tomar uma atitude a tempo, disputas por nunca se ter negociado determinados gastos, frustrações devido a metas diferentes para as quais não se tem recursos…

Quando deveríamos começar a falar de dinheiro em casal?

Talvez pareçamos loucos psicóticos se citarmos o tema no primeiro encontro ou depois de dois meses saindo, enquanto ainda somos um protocasal, então a medida salomônica talvez seja o etéreo “quando se começar a fazer planos com a pessoa”.

O curioso é que há muitos acontecimentos no meio que cumprem essa função sem que o casal esteja a ponto de ir morar juntos ou prometer fidelidade até que a morte os separe: fazer uma viagem, economizar para um show ou uma meta importante que implique planejamento financeiro e se queira compartilhar (fazer um mestrado, comprar uma casa, adotar um cachorro), por exemplo.

Às vezes pedir um conselho ou perguntar sobre a perspectiva financeira de um assunto ajuda muito a conhecer o parceiro. Se de cara, para comprar um carro, eu recomendar que você se endivide até as orelhas e “viva a vida”, porque não se sabe se vamos estar vivos amanhã, você terá um bom indício de que necessita de um pouco de educação financeira.

Há regras sobre como conduzir as finanças em casal?

Essa é uma grande pergunta: muitos casais procuram A fórmula de como dividir seus gastos, quem deve pagar o que e o que se deve fazer quanto às dívidas passadas… mas lamentavelmente, assim como no amor, a equação perfeita não existe.

Podemos lançar mão da negociação, dos argumentos e do que funcionar para os dois segundo as crenças, rendas, metas…

Isso não quer dizer que se tenha de esperar para ver se por acaso o tema aparece sozinho. Quando o assunto já está “mais sério” há alguns exercícios que podem ser úteis para começar:

  • Propor metas específicas em conjunto e de forma individual, que especifiquem o que, quando, quanto e o que modificarão em seus hábitos para chegar ao objetivo.
  • Fazer uma lista de prioridades de gastos de cada um, negociá-las e daí partir para fazer um orçamento.
    Definir claramente a propriedade das coisas e as obrigações de pagamento.
  • Ter um encontro financeiro, um dia por mês e de preferência com uma taça de vinho ou uma bebida que os dois gostem no meio, como sugere a coach financeira Karla Bayly. Ter um momento fixo para o dinheiro ajuda a assimilar melhor a ideia.
  • Colocar na cabeça que este é um assunto sensível, e por isso exige o dobro do cuidado para evitar julgamentos ou adjetivos, e tentar explicar os fatos, consequências e propor soluções quando for abordado.

O maior problema de falar sobre dinheiro tem a ver com o fato de não ser um tema cotidiano e não o abordarmos até que seja absolutamente impostergável (como quando a dívida é insustentável ou surge uma emergência). Se começamos a entender o dinheiro como outra das facetas da compatibilidade e de aprendizagem conjunta, certamente tiraremos uma fonte de problemas de nossa relação.

Fonte: El País

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